Afinal, em quem dói a minha dor?

Quando criança eu imaginava que as dores eram iguais, para tudo e qualquer coisa, da mesma forma, com a mesma intensidade: elas eram idênticas, não interessava se criança fosse ou adulto; se doía muito em mim, doía muito no meu avô.  

Eu tinha uma dor em específico, que acredito, pessoa alguma deva ter ouvido falar; eu tinha dor no cabelo.  É, pois é, o exagero em pessoa, Cazuza se orgulharia de ter um espécime vivo que exemplificasse sua música.

Dor de barriga era insuportável, como alguém podia sobreviver aquela dor? E nó nas tripas? Dessa eu cheguei perto, bem perto...

Mais tarde vieram as dores “amigas e companheiras” das mulheres, as cólicas; socorro, como eu sofria com aquilo, me revirava como louca, tinha dias que era impossível sair da cama.  Atroveran? Água com açúcar. Buscopan? Fichinha. Ponstan? Esse fazia efeito, mas em doses cavalares. Era uma exaustão, e eu dizia, não há dor pior que essa, não pode haver.

Com a maternidade eu descobri que todas as minhas dores anteriores eram NADA; BRINCADEIRINHA de criança. E olha que eu nem posso reclamar, o máximo que tive foram 4 horas de trabalho de parto; mas aquelas contrações, bem, deixo a cargo de quem nunca sentiu tentar imaginar uma dor, deixe-me ver, pois é, uma p... dor, mas que em segundos acaba, é uma dor gostosa; ok, podem me chamar de louca.  

Mas todas essas DORES são físicas, algumas são DELICIOSAS, DESEJADAS, afinal, qualquer dor vale a pena para ter seu rebento nos braços; estas são as dores digamos, “medidas”, “mensuráveis”.

E as outras DORES? E aquelas que nos pegam de assalto? E aquelas que nos “nocauteiam”, nos “deixam na lona”, “sem eira, nem beira”; as dores da ALMA, do ESPÍRITO, do CORAÇÃO, as EMOCIONAIS. São as dores que nos “rasgam” por dentro.

Estas sim, são DORES INSUPORTÁVEIS, ARRASADORAS, capazes de “dilacerar” o ser humano, capazes de fazer com que se abra um “abismo” embaixo de nossos pés, capazes de fazer com que percamos o “sentido na vida”.

Eu, todos nós em algum momento da vida, vivenciamos essa DOR, e medida ela não pode ser.

Há quem diga, “minha dor é maior que a sua porque...”; não há dor MAIOR ou MENOR, existe DOR, e para cada um de nós ela tem uma “gravidade”, uma “intensidade”, uma “amplitude”. Cada um de nós “lida” com a dor de forma diferenciada, cada um de nós tem uma forma de “se doer”.  E ao que os olhos de outrem parece nada, para mim, pode ser insuportável, já que, só EU sei “onde” e “como” bate a minha dor.

Já tive dores físicas, que sequer posso enumerar, sempre fui frequentadora assídua de emergências, hospitais são para mim, parques de diversão; corta, costura, abre, fecha, abre de novo e por ai vai, nem dá para contar...

Mas as dores que quase me levaram a “loucura” foram as dores da alma, estas sim,  eu direi por todo o sempre, não há DOR, que DOA como essa, não há DOR maior que essa, porque a dor da alma, nos tira a esperança, a fé, a coragem de viver, a crença de que um dia tudo passa...

E quem disse que a minha é menor ou maior que a de qualquer outra pessoa? A dor que me consome é MINHA, e de ninguém mais, não dou a ninguém o direito de dizer como é a minha DOR, onde DÓI a minha DOR.

Pois, se minha é, que eu saiba como lidar com minha DOR, me DOER dela, até que um dia, cansada de mim esteja, a DOR queria se livrar... 

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