Ashley Madison; por que ainda precisamos trair?

Antes de iniciarmos vejamos alguns dados relacionados ao Ashley Madison;

40 milhões de usuários no mundo;

3 milhões no Brasil;

Do total de usuários, 70% são homens e 30 mulheres;

São Paulo lidera o ranking de cidades que mais traem no mundo, com 374 mil contas cadastradas;

Rio de Janeiro chega a ter 44% de mulheres cadastradas no site;

No Canadá, 2 supostos casos de suicídios (não confirmados) são ligados ao Ashley Madison.

Surpresos? Agora, se não fosse o “Impact Team”, ou Time de Impacto, o famoso grupo de hackers que invadiu e expos os “segredos” do Ashley Madison, é bem provável que jamais tivéssemos conhecimento destes dados.

Para seguirmos nossa conversa, vamos a algumas definições encontradas do verbo TRAIR:

Enganar com traição;

Revelar informação que era secreta;

Deixar perceber;

Não cumprir promessa, compromisso ou princípio;

Ser infiel a;

Revelar o que se desejaria ocultar.

Levando em consideração dados da ONU, somos hoje, 7,2 bilhões de seres humanos habitando o planeta terra; nós estamos dizendo que aproximadamente 1,5 % de humanos tinham acesso ao site de relacionamento que tem como principal slogan “Life i short.  Have an affair” (A vida é curta.  Tenha um caso), acha pouco?

Mas o que faz com que um site de relacionamento de “traição” tenha tanto sucesso? O que faz com que o ser humano “busque” este “prazer? Por que ainda “precisamos” trair?

Ao nos depararmos com tantos questionamentos, precisamos antes de tudo, ter claro que o conceito de traição não é o mesmo; encontraremos definições por vezes contraditórias em culturas/sociedades diferenciadas, portanto, há que se ter cuidado ao avaliar/questionar comportamentos.  Mas, se formos observar especificamente as sociedades ocidentais, constituídas basicamente sob o regime patriarcal, o conceito de traição será quase sempre o mesmo: um dos membros de uma relação marital rompendo com o voto de fidelidade, de compartilhar a vida sexual, única e exclusivamente com o parceiro.

Mas seria a traição apenas a troca carnal, sexual?  Bem, se nossa resposta a esta pergunta for positiva, então, nossos 40 milhões de usuários do Ashley Madison estão perdoados, ABSOLVIDOS, pois, além de não terem NENHUM CONTATO físico com seus parceiros virtuais, os usuários, pobres coitados, foram maquiavelicamente manipulados; seus parceiros eram nada mais, nada menos que ROBÔS!!!!!

Os 12 mil ANJOS, (perfis que se relacionavam com os homens/mulheres assinantes do Ashley Madison), eram Perfis Falsos, programados para “se relacionar” com milhares de pessoas ao mesmo tempo.  De novo, havia traição? Existe algum limite que separe o que é MERO DESEJO, simples curiosidade de traição?

Josh Duggar, americano, ex-estrela de reality show evangélico, ferrenho defensor da moralidade e do Sagrado Direito da Família, pagou quase US$1000 para manter 2 contas no site de relacionamento.  Hipócrita? Com certeza, tanto que foi à mídia, se disse envergonhado, culpado e implorou desculpas à esposa e a família.

Mas Duggar não está sozinho neste cinismo disfarçado; militares americanos de alta patente também foram descobertos, assim como executivos e membros do Clero.

Seria a traição um comportamento típico de determinadas classes sociais? Sabemos que não, da mesma forma, que em tantas sociedades, a mesma não apenas é aceitável como faz parte de seus contratos maritais.

Há por trás da traição apenas o desejo do encontro com o “proibido”, o “desconhecido”, ou há algo mais? Afinal, o que é ser “infiel”, o que é romper um “voto”, um “compromisso”, uma “promessa” assumidos com o outro? Há na infidelidade um desejo mascarado de “machucar” o parceiro? Comparando as relações virtuais e concretas, existe diferença entre a “traição física” e a “fictícia”, ou digamos, a “suposta traição”?  É menos relevante ou mais facilmente perdoável, a traição virtual? Seríamos nós reféns desta maldição chamada traição; ou somos nossos próprios algozes, quando tomados pelos desejos mundanos de satisfazer a nosso próprio EGO?

Fica claro que ainda temos muito a aprender, mas o que se evidenciou em torno deste imbróglio criado pelo Ashley Madison é que estamos longe de termos compreensão sobre as emoções humanas e mais ainda, sobre o que somos capazes quando o assunto é AFETO.

(fontes: ONU, G1; Techtudo; Wikipédia, UOL, Zero Hora, Tecnoblog).

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